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07/01/2009 - Advogados consolidam papel de negociador em meio à crise
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Com uma conjuntura financeira adversa, operadores do Direito ocupam lugar de conciliadores em busca de soluções para seus clientes, sem utilizar necessariamente o Judiciário como meio. Postura exige, cada vez, mais uma formação multidisciplinar e visão menos litigante, para a construção de alternativas rápidas, a fim de minimizar perdas.
Por Andréa Háfez
A crise financeira instalada no mercado brasileiro há mais de três meses trouxe reflexos para a área jurídica que acompanha o setor: os advogados saíram de um momento de realização de novas operações, em um cenário otimista, e ingressaram na função de negociador de soluções para evitar maiores perdas e impedir a instalação de conflitos, principalmente que tenham como arena de discussão o Judiciário.
“Saímos da advocacia da euforia para ingressar na advocacia da crise. Uma bem diferente da outra. Mas o papel do advogado ganha importância enquanto negociador, conciliador, que busca soluções rápidas e tenta evitar conflitos que sigam para o Judiciário”, explica o ex-presidente da CVM Arnoldo Wald, hoje sócio do escritório Wald Associados e professor catedrático de direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Isso exige, segundo ele, uma formação econômica, e que não se restrinja ao conhecimento do Direito como forma, mas como conteúdo.
“O advogado tem que ter poder e conhecimento de negociação para que encontre uma solução no tempo presente e futuro e não fique voltado para o passado, como agiam os operadores de formação tradicional”, diz Wald, que também é membro da Corte Internacional de Arbitragem. Daí esse profissional não poder se limitar ao que está previsto em lei, na forma. “Há a necessidade de construções a partir de conhecimento específico do setor da economia envolvido e de sua regulação”.
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Assim, outro ponto que se desenvolve com mais intensidade, de acordo com Arnoldo Wald, é a mudança na relação entre os advogados de partes contrárias. “Eles passam a ser parceiros e saem da posição de concorrentes”. Isso em razão da adoção de outros meios de solução, como o uso da arbitragem. Para ele, esse Direito da crise vai gerar oportunidades para o Direito do desenvolvimento, mais próximo da economia globalizada, que necessita de cooperação. “Agora é momento de reconstruir o que foi abalado pela crise e diminuir as perdas. Isso é possível a partir de novas formas contratuais e normativas que devem ser elaboradas com a ajuda de advogados com um perfil negociador”.
Fonte: Espaço Jurídico – Bovespa
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